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FILOSOFIA DO AMOR
Quem és tu que de tão longe me
envolves em ternos laços de carinho?
Quem és tu que Deus, o destino, ou a
vida, colocou no meu caminho?
Quem és tu ser tão cheio de
sentimentos aprisionados, porém
sózinho?
Serás o sol, serás a luz, do mar a
onda revolta, da montanha o rebelde
rio?
Serás o vulcão que explode em lava,
serás o fogo ardente que afasta o
frio?
Serás no céu a estrela mais brilhante,
da cascata a água que escorre em fio?
Não sei quem és, não sei definir o teu
carinho, não sei equacionar teu amor
Não sei medir a força que me dás, não
sei somar os dias de afecto e ardor
Não sei porque te amo, não sei porque
te adoro, é desmedido teu fulgor...
Só sei que me fazes bem, que mesmo de
longe me afaga a alma teu sorriso,
Só sei que mesmo tão longínquo, estás
sempre comigo, quando é preciso..
Não sei se é filosofia, ciência,
poesia, mas teu amor é tudo quanto
necessito...
Arlete Piedade
***
Tempo a Compasso
Como os anos fogem e veloz passa o
tempo...
Muda o exterior, a aparência que os
olhos vêem,
Mas no coração, e na alma o mesmo
sentimento,
Que o tempo reforça e a mesma força,
mantém.
Já o perfil doce e firme da juventude
há muito se alterou...
Dos olhos o brilho a vida apagou com
suas tristezas,
Também a pele lisa e uniforme de
menina se manchou,
Mas apesar de tudo, bate ainda o
coração com certezas..
De que embora o outono melancólico e
belo vá chegando...
O
cansado coração vai batendo e ainda
sempre esperando...
Por sentir junto a si, outro coração
unido num só compasso,
E
mesmo com traços esbatidos, a minha
boca vai guardando,
O
mesmo anseio partilhado, o mesmo
sorriso e beijo desejado,
E
continua a espera do tempo certo,
sempre no mesmo passo.
Arlete Piedade - 21/04/05
***
FURACÃO DE QUIMERAS
Arlete Piedade
Tal furacão de escuridão,
incontrolado e insano,
Que tudo
arrasta em louca e demente
cavalgada,
Atordoante e
ruinosa na terra agora
escalavrada,
Assim fui eu
na minha navegação a todo o
pano...
Velas de
quimera, desfraldadas ao mar, sol
e vento,
Para longe
tal marinheiro quinhentista, o mar
arrostei,
Tão longa a
viagem, tanta coragem, e perigos
enfrentei,
Mas
tempestades me fizeram naufragar
no mar cinzento.
Turbilhões
de água salgada, fundos abismos
oceânicos...
Monstros
marinhos povoam pesadelos na
madrugada...
Tento não
sobraçar nos medonhos turbilhões
titânicos..
Tento não
esquecer que um dia fui de alguém
a amada...
Caudais de
lágrimas caem de meus olhos
outrora risonhos,
E agora só
pesadelos de abandono povoam meu
sonhos...
Como não
sobraçar de vez nas longas
torrentes de espuma,
Como não abandonar as ilusões
dementes, uma a uma....
Arlete Piedade
***
Conformação
Com tristeza e conformação na alma
saudosa,
Recorda sempre o seu amor perfeito
já perdido,
Fingindo que está tudo bem, na
vida dolorosa,
Nutrindo-se de doces lembranças do
tempo ido.
Brincando e sorrindo para quem
apenas a vê assim,
Uma imagem de bela mulher, doce,
loura e sorridente,
Tentando esquecer a partida do
destino cruel e ruim,
Escondendo de todo o mundo o que o
coração sente.
Assim vai vivendo os seus dias
monótonos e sem cor,
Em imagens e música, dando voz aos
seus sonhos e dor,
Que resguarda dos olhares alheios
com contida emoção...
Sempre ainda esperando pelo
retorno do seu antigo amor,
Aquele que a fez sentir mulher com
anseios, desejos, ardor,
Nunca esquecido, a louca paixão
guardada no coração.
Arlete Piedade
(dedicado a uma amiga)
***
A
Caminho da Escola
Eu queria compor um terno e simples
poema,
Que a todos vós, fizesse sorrir ao
recordar...
Pois que tivesse nossa infância como
tema,
E nos desse alegria para de novo
brincar...
Queria relembrar os caminhos para a
escola,
No inverno pelos trilhos das geladas
florestas,
Os cadernos, e o lanche guardados na
sacola,
Os tropeços nas pedras duras de vivas
arestas.
Mas no tempo distante, travessas
lembranças
Fazem parte de um passado de vãs
esperanças,
Pois ainda guardo comigo tais sonhos
infantis...
Viajar pelo mundo, conhecer lugares
distantes,
Das antigas civilizações as ruínas
fascinantes,
Ser escritora, poeta, arqueóloga,
desejos pueris.
Arlete Piedade
***
Utopia
Será
utopia, este amor que me agita dia a
dia?
Será
quimera, esta ânsia, esta eterna
espera?
Será
ilusão, querer partilhar, tamanha
paixão?
Será
apenas na mente, que o amor se sente?
Ah..eu
não sei não...mas o meu corpo tremente
Se agita
com sofreguidão, quando te pressente
Em
tamanho amor, contido com lágrimas e
dor
Queria
te poder amar, nem que fosse só pelo
ar...
Queria
te poder fazer sentir, como é bom amar
Como é
bom sentir, fremente de emoção, calor
Paixão,
ardente ânsia no coração de te
acariciar!
Mas esta
ansiedade tamanha, este amor contido
Esta
ternura imensa, que de mim te faz
querido
Este
afecto, respeito, também habitam teu
peito!!
Então
quimera, será? Utopia ou ilusão,
quiçá...
Sonho
partilhado, revivido através da
imensidão
das
madrugadas longas em insónia e
paixão!!!
Arlete
Piedade
***
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