VIVAS AO MEU BENFICA

 

Nem rosas nem cravos


Não foram rosas nem cravos
Meus Senhores
Foram escolhos
E engulhos aos Molhos

Maledicência de línguas
Vesperosas
Malquerença
Em vontades venenosas

Foram capados o Bobi e o Tareco
E o engelhado por um apito
Dourado foi engasgado
Lixado e calado

Ameaças e intrigas de todo o lado de toda a cor
Foram muitos os empecilhos que geraram muita dor
Não foram rosas nem cravos
Meus Senhores

Contra tudo e contra todos a lutar
Foram onze longos anos a esperar e desesperar
E o sistema a minar!
Na sombra a manobrar!

Foram viagens
Fantasmas em exóticas paragens
Em favores prestados
Aos tais Senhores

Tantos anos a sofrer ao ver tanta porcaria
Tanta ! Tanta !
Que só não via
Quem não queria

Dizem por aí que era ao telefone ou em lautos repastos
Que eles cozinhavam
Os resultados
Que mais lhes agradavam

Dizem por aí , ( E quem sou eu para duvidar ?)
Para os resultados pré-cozinhar
Bastava falar
Com quem ia apitar

Tuas garras quiseram grilhetar
Teu bico quiseram guilhotinar
Ó ! Águia Altaneira !
Símbolo maior da nossa bandeira

Alto voaste ! Alto sonhaste !
E no teu voo nos levaste .
A mim a àqueles jogadores valentões !
Agora , juntos , bem alto , gritemos aos ventos

SOMOS CAMPEÕES

Rorschach, Maio de 2005
Carmindo Pinto de Carvalho

 

***


 

Réstia de sombra

Passaste
Não paraste
Não olhaste
Em mim não reparaste .

Com teu charme envolvente
Teu ar altivo penetrante
Teu andar bamboleante
Passaste e nada deixaste .

Somente uma réstia
Da tua sombra
Em mim reparou
E neste banco ao meu lado se sentou .

Vem , volta atrás e vem
Sentar-te neste banco
De pau gelado
Em jardim sossegado plantado .

Olha , olha ali
Um jasmim ! E mais além naquele lírio branco
Uma gota de orvalho..., é lágrima do meu pranto
Tresloucado que em silêncio chama por ti .

In, Entre o Ter e o Querer , Editorial Minerva 2000

Carmindo Pinto de Carvalho
 

***

 

 

Olha, vê ou apalpa

A poesia
Como a arte em geral
Não tem grandeza real.

É da dimensão
Do teu sentir, do teu ver na visão
do teu olhar.

No brilho do Sol nas pedras da calçada.

Na luz da Lua
Nas gotas de orvalho
Na erva a cintilar.

Nas pétalas das flores
A desabrochar.

No sorriso de uma criança.

Na leveza de uma ave a voar.

Na pujança de um cavalo a galopar.

Na elegância
Duma donzela
A dançar.

Na crença da fuga de uma gazela a correr e a saltar.

Na fúria da correria da água dum rio que quer chegar ao mar.

Olha, vê, apalpa
Pois que há mais
Muito mais
Em lânguidos uis e ais
E outras coisas mais.

Setembro de 2005
Carmindo Pinto de Carvalho
 

***

 

 

Quando eu morrer

Quando eu morrer, ou quando vós pensardes que morri
Por deixar de sorrir
Cremai-me sem dó nem piedade pois que morto estarei
E já nada sentirei.

Ou então, se o petróleo
Para acender o fogareiro
For muito caro (já está pela hora da morte!!!)
Enterrai-me, mas despido!

Repito
Despido!
Não nu, não vá eu escandalizar as coitadas
Das anjinhas.

Mas, para lhes aguçar o apetite (que o olho também come!!!)
Enfiai-me numas cuecas de gola curta
Que realcem com um bom relevo
E um porte altivo
Aquele meu amigo
Que desde sempre me acompanha
E por muitos nomes é conhecido.

Os meus poucos fatos e as minhas
Poucas gravatas
Que eu sempre detestei
Dai-as ao primeiro pedinte que encontrardes
E que queira aceitar.

As minhas cinzas
Com certeza
Que não vestem nem casaco nem calça
Nem precisam de gravatas
Como enfeites, essas coisas de alindar
Com certeza vão dispensar.

As minhas cinzas
Soltai-as
Aos ventos deitai-as
Livres, livres, deixai-as.

Talvez elas
Se transformem
E delas
Nasçam duendes
Bobos
Palhaços
Flores
Cheiros
Cores
Que alegrem o viver e curem as dores
Das gentes do mundo .

O que restar de mim , onde quer que esteja
Sentar-se-á numa esplanada
A bater palmas
A regar a goela
Com uma cerveja
Bem gelada .

Num brinde direi : __ À saúde ! Tua
Minha
E de todos em geral .
Cá vos espero
De preferência pelo Carnaval .

Julho de 2005
Carmindo Pinto de Carvalho

 

***

 

 

Vivas ao vinte e cinco de Abril

Mais um aniversário daquela
Maravilhosa
E inolvidável madrugada
Se aproxima.
Aos homens que nela se envolveram
Pelo trabalho que por certo tiveram
De uma forma
Ou de outra
Muito fizeram
Para que o sonho
Se tornasse realidade em jeito de agradecimento
E homenagem lhes canto
Agora e sempre lhes cantarei.

Todos os cânticos
Que for capaz de lhes cantar.
Por todos os caminhos
A palmilhar
A todos lugares irei
E cantarei.

Pela reviravolta benéfica que gerou
Na caduca sociedade portuguesa
De então. Pelo que aos olhos e corações do povo representou
Agradecido cantarei.

Eu, tu, todos nós que não pactuámos com tal sistema
Que não comemos da mesma gamela
Com tal famelga
O nosso obrigado
Mil vezes amplificado
Para que bem longe se ouça
Aos ventos seja lançado.

Juntos e unidos cantemos: Viva o vinte e cinco de Abril!!! SEMPRE

Carmindo Pinto de Carvalho
 

***

 

 

Ser mãe

Ser mãe, é na essência da palavra
A máxima consagração
Da condição
Feminina de ser mulher.

Ser mãe, é o despertar de um sonho
Tantas vezes sonhado!

Ser mãe, é o concretizar de um desejo
Que ansiosamente transportava no peito.

Ser mãe, é o florir de uma roseira
Lindas e charmosas rosas!

Ser mãe, não é só o gozar ao fazer um filho
Que ao pari – lo
Como cadela danada o enjeita e atira
Prá sarjeta da vida
Tal como algo putrefacto
Um velho e roto trapo.

Ser mãe, é dar – lhe o seu sangue, uma vida.

Ser mãe, é estar do seu lado
Vigilante a todo o instante
Para que nada falte ao seu filho
Tão querido, tão amado!

Ser mãe, é isso e muito mais!
É em silêncio sofrer sem ais…

É rir de contente
Do mais pequeno instante
Que faz feliz
O seu petiz.

Ser mãe, é defender até à morte
O seu filhote
Como a loba ferozmente com valentia
Defende a sua cria.

A todas vós mães e avós
Mães galinhas extremosas
Mulheres de todo o mundo
Neste dia em todo lado comemorado
Vos peço perdão pela demora
Mas aqui e agora
Vos rendo vassalagem
Me curvo à vossa passagem.

E ao lembar – me de minha mãe
Velhinha, lá longe sozinha
No seu cantinho
No silêncio do meu quarto
Meus olhos choram lágrimas silenciosas
Que molham e deslizam pelo meu rosto devagarinho.

São mágoas
Águas derramadas
Que eu seco com o meu lenço
De linho.

Se é feio um homem chorar, não me importo de ser feio.
Maio , 1994

Com o meu fraterno abraço a todos , principalmente para todas as mulheres de todo o mundo

 

Carmindo Pinto de Carvalho

 

***

 

 

 

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