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BIOGRAFIA:
Tem 75
anos. É natural de Tavira e vive no concelho de
Silves, Portugal (concretamente em Alcantarilha-
Gare, a uns escassos 200 metros da casa onde
moram os meus pais). Como nasci e cresci naquela
zona, conheço-a há muitos anos.
A vida pouco lhe sorriu. É viúva há 17 anos, o
marido teve muitos problemas de saúde, muitos
deles originados na profissão que teve
(trabalhava em pedreiras, onde teve alguns
acidentes graves) e ela viveu sempre dos
proventos, magros decerto, da sua profissão de
costureira, que exercia, contudo, com
verdadeira mestria.
Tem duas filhas, uma a morar a alguns
quilómetros, no Algarve também, e outra em
Lisboa. Por isso, na sua casa, vive sozinha, não
sem uma mesa cheia de fotografias dos seus entes
queridos...
A poesia é uma grande paixão que tem. E na sua
modesta casinha guarda os poemas que faz (alguns
9 dossiers manuscritos!), com o orgulho próprio
de quem ama o que é capaz de escrever. E exibe,
com não menos orgulho e carinho, as suas
medalhas e prémios que tem ganho em diversos
concursos de poesia a que concorreu e/ou
assistiu pessoalmente, em tempos... Hoje, as
artroses já não a deixam viajar para muito
longe, pois, como diz ,“custa-me muito descer
ou subir para os transportes.”
Tem poemas na Câmara Municipal de Tavira há uns
anos, entidade que lhe prometeu editá-los em
livro, e a quem ela ofereceria – fez questão de
o dizer - desde logo todos os exemplares, caso
fossem editados (ficaria apenas com uns quantos
para si, para oferecer também a familiares ou
amigos). Mas a edição ficou-se pela promessa da
Câmara, como muitas vezes acontece neste país...
Que pena não ser divulgada uma poetiza assim!
Quando me desloco ao Algarve falo muitas vezes
com esta senhora. Muitas vezes é ela até que me
procura, oferecendo-me alguns trabalhos seus.
No mês passado ofereci-lhe a minha Coroa de
Sonetos e expliquei-lhe apenas as regras para a
fazer: cada soneto inicia-se com o último verso
do anterior e o último soneto termina com o
mesmo verso que inicia a Coroa (1º verso do 1º
soneto). Na sexta-feira passada telefonou-me,
muito feliz, dizendo que também tinha feito a
SUA coroa de sonetos. Desloquei-me este fim de
semana ao Algarve e tive-a, dela, como oferta.
O mínimo que posso fazer é divulgar tão bonito
trabalho desta minha (nossa) amiga que, por
motivos de saúde, como já referi, já poucas
deslocações faz para muito longe, senão seria
ainda para mim um prazer apresentá-la em locais
como por exemplo a Associação Portuguesa de
Poetas.
Tem apenas a instrução primária, mas escreve
“simplesmente” assim… Um espectáculo!
Joaquim Sustelo
30.05.2005 |