A cadência da poesia
Tem, das fadas a beleza...
É sonho, encanto e certeza
No jogo da fantasia.
Um som plangente! É o violão,
Seguido pelo violino,
Num toque bem feminino,
A agitar meu coração.
Nesses meus quatorze versos,
Está a clamar o sonhador
Nos seus bradares inversos.
É um ilusório clamor,
Esse meu sonhar emerso
À procura de um amor
Tarcísio Ribeiro Costa
PENSO
Penso na vida... A
vida é passageira.
É bom viver... Penso na vida...
Penso nas pedras sem vida,
Penso nos espinhos que são pedras...
Penso no jardim sem flor,
Penso nas pedras do caminho,
Penso na vida sem carinho,
Penso no viver sem amor.
Penso no pássaro sem ninho,
Penso no viver na solidão.
Penso no amor com emoção,
Penso nos meus sonhos...
Tarcísio Ribeiro
Costa
IMPREVISÃO
Procuro-te nos
enigmas, até nas minhas orações,
Busco no opaco, a remanência dos
traços do teu viver...
Sumistes, quem sabe, na frigidez das
tuas frustrações,
Ficaram no meu coração, indeléveis,
marcas do teu ser,
Quero reencontrar-te para aliviares as
minhas tensões...
Diviso na bruma só vultos de cometas
desorientados,
Cruzo as cruzes, fantasmas da minha
imponderação,
Vive em mim o conflito do inerte e do
arrebatado,
Nada resta das fantasias dessa fugidia
imaginação,
Senão a onírica procura de um amor
alienado...
Preferes, acredito, nessa inconcebível
e ambulante vida,
O ruído imaginário dos astros,
imagino, afônico, abafado,
Ao sussurrar de palavras doces,
humanas, enternecidas,
De onde emergem os prazeres de amor
realizado.
Estou a refletir como hei de conviver
com o impossível
E conseguir êxito em desvendar os
mistérios do amor!
Mas, quem sabe! Como um santo milagre
cura a dor,
Espero ser atingido pelo abordo do
imprevisível.
Tarcísio Ribeiro
Costa
EVASÃO
Tarcísio R. Costa
São tristes os olhares em evasão,
a vida carece de amor,
é excruciante castigar um coração,
não quero, nessa estrada da vida,
me sentir perdido,
senão os meus sonhos
não terão sentido.
Jamais hei de abnegar
o direito sagrado de amar,
quero, sim, confessar
que me sinto perdido
quando te vejo
distante.
Não sou nenhum abjurante
para esquecer, assim, o teu amor
e, mais, tenho um coração,
que sofre da dor da saudade.
é essa a minha verdade.
Não quero os meus sonhos
confundidos com ilusão,
quero, sim, que o amor
perpetue-se
eviterno
no meu coração!
Tarcísio Ribeiro Costa
IDEALIDADES NO AMOR
Levei a vida a projetar idealidades
Para atingir os meus anseios no amor,
Muitas vezes nascidos nos meus sonhos,
Noutras, em simples encontro de
olhares,
Sentia-me induzido a me tornar um
sedutor...
Nessas e em outras ocasiões
Sentia que era imprescindível o amor,
Que eram coisas dos corações
A alimentarem a alma,
Chegava a apelar
nas minhas orações,
Quando me faltava calma...
Qualquer um é submisso às sanções do
seu destino,
Principalmente, quando se submete a
paixões,
Na impertinência das quais cessam-lhe
as idealidades,
Nunca quer enxergar a realidade,
Quando ama sem ser amado.
Tarcísio Ribeiro
Costa
SÓ PALAVRAS
Vi o teu sorriso e
as tuas lágrimas
Só em palavras.
Senti os teus
beijos e os teus mimos
Sem palavras.
Tive os teus
carinhos e os teus abraços
Em tuas palavras.
Encheste-me com as
tuas carícias
Só em palavras.
As tuas promessas
Foram só palavras.
Vi-te nos meus
sonhos
Sem palavras.
Sinto falta
Das tuas palavras.
Tarcísio Ribeiro
Costa
TEUS OLHOS
O meu pensamento
ultrapassou a luz,
virou energia,
amanheci o dia
no teu coração,
recebi os teus carinhos,
foram tantos os mimos
que me apaixonei por ti.
Tuas palavras
tinham cor,
falaste-me de amor
e dos teus sonhos...
vi nos teus olhos
a soma de todas as
cores,
vi amor.
Tarcísio Ribeiro Costa
MEU SEGREDO
Minha alma entra em transe,
Caminho pelas sendas da incerteza...
Não devo, não quero revelar o meu
subconsciente
Lá, estão os meus segredos, as minhas
dúvidas...
A minha vida está no vácuo, entre os
éteres e a calmaria,
É uma realidade que poderá eclodir
como uma vaga,
Não sou um ator que segue um "script"
de fantasia,
Embora tenha comigo uma perene
intenção
De, logo, dirimir as minhas dúvidas.
Tudo vai chegar ao inesperado
Quando se romper a cortina que me
separa
Das minhas incertezas e vislumbrar o
desejo
De ressuscitar
todas as minhas alegrias.
Terei de volta aquela que amo, para
reabitar
As entranhas do meu
coração.
Ela vive irmanada com a saudade,
Ela é o meu amor... O meu segredo.
Tarcísio Ribeiro Costa
RUAS TORTAS
Caminho pelas ruas tortas,
Onde não tem fim,
Não sei aonde vou chegar...
Sigo, mesmo assim desorientado.
Nesse caminhar vejo roseiras sem rosa
E jardins sem jardineiro...
Meninos com os olhos remelados,
Descalços, com “bicho-de-pé”,
Todos o tratam por “Zé”,
E os lixos, por eles aproveitados...
Meninos de barriga cheia
Passam sentados no banco detrás
Dos carrões importados...
Com dinheiros “desviados”...
E continuo pelas ruas tortas dos
contrastes,
Outros meninos jogam “bola-de-meia”...
Fico pensando...
Meu Deus, a coisa
tá feia!
Comento com um transeunte,
Ouço: - Nada anormal, sempre foi
assim!
De lado, um homem sentado no meio fio,
Olhos vermelhos, embriagado...
Adiante, um tumulto, uma confusão,
No outro quarteirão da rua torta,
Um grito: pega o ladrão!
Um político assustado, fecha a
porta...
Já perdia a paciência...
Despertei tonto, desorientado,
Meu sonho mostrou-me a realidade
De um mundo desnivelado...
É o mundo da incoerência!
Aí, entendi o porquê da rua torta,
Ela é a vida.