Ao Meu Brasil 

Marise Ribeiro

 

És meu país, meu chão, meu lar,

jamais ousarei o teu nome manchar,

encho o peito com admiração altaneira,

quando em outras terras digo: "sou brasileira".

 

Teu povo, mesmo com algumas mazelas,

é forte, é bravo, é irmão de outros países,

solidário, trabalhador, supera até as seqüelas,

quando corruptos sugam a seiva de tuas raízes.

 

Vejo futuro neste teu solo majestoso,

porque a nossa gente nunca perde a esperança

em colher os bons frutos da perseverança.

 

Filha orgulhosa de ti, meu país valoroso,

que só semeia a paz diante de um mundo hostil,

ergo a bandeira e brado: "sempre te amarei, Brasil!"

 

***


 

Pátria Amada, Brasil!

Marise Ribeiro

 

Brasil, país das diversidades...

Cantar-te-ei com louvores,

pois nem o mal das desigualdades,

diminuirá a força de teus valores.

 

Tua gente de raças diferentes,

fazem-te um país tenaz.

Brancos, negros, índios, mulatos, caboclos...

Mesclam-se num enlace de paz.

 

Vários sotaques tem teu idioma,

mas um só lema de norte a sul...

Ordem e Progresso diz o axioma,

no branco da bandeira sobre o azul.

 

Tens a natureza tão exuberante,

que os de fora aqui chegados,

tornam-se plenamente teus amantes

e são por ti, Brasil, para sempre abraçados.

 

***

 

Rio de Janeiro

Marise Ribeiro

Minha cidade, feitiço urbano do qual me ufano,
diversidade nos encontros de gente e natureza,
rara beleza!
Nobreza de prédios abraçados pelo mar,
num beijar de areia serpenteando saliências...
Maledicência na avenida da vida,
bandida e trancafiada pelo medo.
Rio de Janeiro,
canteiro de encantos e desencantos,
do sol que brilha cedo,
de tudo que vira enredo:
Carnaval, futebol, samba,
MPB, funk, pagode...
Carioquice cantada em ode.
Cidade que borda suas mazelas
em uma colcha verde com luzes de favelas.
Rio antigo, descascado, abandonado,
pichado, modificado a toda hora
por bocas que o teu sabor devoram.
Rio moderno, brejeiro, fraterno,
de peles sempre douradas, quase sem inverno.
Rio do lixo, desleixo, vans, camelôs...
Relevos e enlevos que o poeta cantou.
Rio que lança moda,
irreverência que a muitos incomoda.
Rio que é de janeiro, nasceu em março
e cresce o ano inteiro.
Rio da menina com graça e do pivete em desgraça,
Rio dos subúrbios, do trem que vai além,
do "bonde" no asfalto, assalto, "- Perdeu!"
Rio que não é seu e muito menos meu,
Rio que adormeceu.
Rio do céu sempre aberto ao azul-sorriso,
do falar de improviso,
Rio afirmativo e negativo,
Rio, aquele em que vivo
e de que tanto preciso.

Ainda que estejas em agonia,
que deixes de ser o cartão-postal do Brasil,
ainda que te maculem a fotografia,
Rio de Janeiro, meu amor primeiro,
serás a minha eterna poesia!

19/08/06

 

 

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