MEU BRASIL!
Mercília Rodrigues


Fartaram-te os braços desta terra, mãe gentil!
Em teu seio resgataste tua história,
Engrandeceste tuas belezas, ó meu Brasil!
Fizeste com suor a tua glória...
Regaste com o sangue dos valentes
o solo enxertado de sementes.
Pintaste tua tela de mil cores,
trazes em teu bojo teus amores...
No sol que resplandece exuberante,
num mais lindo azul celeste
tuas águas nas nascentes são brilhantes
e a mata em sintonia se enriquece.
Teu povo com esperança renovada
a cada dia em que o trabalho o chama,
luta e com fé em ti, mãe abençoada,
mostra ao mundo quanto ama !!!

mercilia.rodrigues@terra.com.br.
 

***

 

Este chão

Mercília Rodrigues

 

Embrenharam-se nas entranhas da mata

bruta, fechada, cerrada .

Sem fendas, nas veias de troncos mortos ,

A seiva era vida, abrigo sem portos !

Em seu seio a selva protegia a semente

no ventre da terra, dos rios , da nascente ...

A mão sem a serra adormecia farta

e a lua  num céu mais azul no poente.

Corria livre o povo nativo . 

Sua crença, seu uso, suas leis , sua gente!

Gente nossa ! Em posse, direito cativo .

Roubaram-lhe o chão, o céu , as águas.

A peste, a cobiça, o vício, o medo deságua !

Herança do homem em degredo ...

Nas feridas abertas a grandeza dos bons 

que suando, sulcando, amaram este chão !

 

***

 

CIO DA TERRA
Mercília Rodrigues

Sou cheiro de mato orvalhado,
das campinas adornadas
ricas, coloridas, perfumadas!
Sou isso tudo: chão, terra mesmo! Prado.
Sou a fenda na rocha, na grota
onde medram avencas em pedra.
Águas que mesclam o solo em silêncio
e na relva, sou a seiva que segue somente...
Nascente em fios segurando nos seixos.
Madeixas das matas em dança ao vento!
Sou terra molhada, sou vento, geada.
Sou dia, sou noite vadia, até madrugada.
Terra morena, serena, sereia,
corre em teu seio o sangue nas veias
da fêmea, no cio da terra, em que brota
do ventre prenhe o amor sem comporta!

***

 

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