ABOLIDA FOI A ESCRAVATURA
Mercedes Pordeus
Recife/PE
Trouxeram-te de teu país...tão distante!
Para aqui sofreres a dor da escravidão.
Lutaste muito, e sofreste mal tratos.
Ajudaste a construir este nosso país.
Trabalhastes, sentiste a dor do flagelo,
porque sonhaste com a tal liberdade.
Paulatinamente, ela ia se aproximando
Primeiro teus filhos, Lei do Ventre Livre.
Depois aqueles que tinham mais idade.
Mais uma lei, a Lei dos Sexagenários .
Assim teu povo foi vivendo a esperança:
Um dia alcançar sonhada liberdade.
Mas, que é verdadeiramente liberdade?
Seria viver nesse mundo discriminatório?
Sofrer na pele herança do racismo?
Ou ainda melhor, sofrer na cor da pele?
O fato é que foste liberto, e que fazer?
Não te ensinaram a lá fora tua vida viver.
Jogado numa sociedade preconceituosa.
Sem chances... sem uma oportunidade.
Esse seria o legado que tinhas desejado
para herança de teus filhos? De um povo?
De certo, não foi isso que tinhas pensado.
Mas, na verdade isso é que te foi oferecido.
13 de maio de 1888 ou de 2005...
O que mudou na verdade em relação
a tua raça nesse país? Quem sabe...
em outros também. Alhures serás
sempre uma mancha na sociedade?
Esquecem-se de que somos irmãos.
Os teus ecos doloridos ressoaram
ao longe. Alguém veio te socorrer.
Uma princesa te libertou...Lei Áurea.
E agora? Que vais fazer? Estás livre!
Séculos passaram e trazes a marca.
Herança que de certo não desejavas.
Igualdade! Somos todos irmãos.
Filhos do mesmo Deus, Criador.
Miscigenação das raças, tradições.
Contribuição de um povo na dança,
alimentação, e em toda uma cultura.
És parte da nossa história, gerações.
Estás em nossas vitórias e glórias
Serás sempre parte nossa história
Com orgulho e raça a escreveste
Riste, choraste, gritaste no tronco.
A tua dor sentida além da senzala
Venceste as batalhas e a guerra
O teu sonho ainda não acabou!
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REFAZENDO A ROTA DE CABRAL
Mercêdes Pordeus
Recife/Brasil
Era uma manhã de treze de maio do ano de dois mil
Ao longe, via-se uma fragata de bandeira portuguesa,
Trazia içadas dez velas redondas com a Cruz de Cristo
E quatorze velas latinas, eram as de formato triangular.
E o Navio Republicano Português aportara no Recife
Corre notícia alvissareira, todos querem conhecê-lo.
Ele veio para cumprir a rota feita por Álvares Cabral
Comemorando quinhentos anos, descoberto do Brasil.
Os recifenses receberam-no com grande alegria
Permaneceu na capital pernambucana alguns dias
Ali, foram abertas as portas com muita simpatia
Milhares de visitantes que ao seu interior viriam.
Ele trazia em seu interior seis barris de vinho
O vinho Moscatel de Setúbal, o Torna-Viagem,
No século XIX, viajava nos porões dos veleiros
Para comercializar e os que não eram negociados,
Voltavam para Portugal, melhorados pelo clima,
Pelas mudanças climáticas que sofriam na viagem
Desta vez, vieram apenas para manter aquela tradição
Esses barris foram reservados mesmo para esta viagem.
Passados, aproximadamente cinco dias no Recife
E numa manhã de domingo, sob olhares saudosos
Içadas suas velas, o navio de Sagres se distanciava
Assim,deixava a cidade, rumando ao Rio de Janeiro.
Passados quarenta e quatro dias no Oceano Atlântico
Aporta no Rio de Janeiro, o Navio - Escola " SAGRES".
Retrospectiva:
Oito de fevereiro, mil novecentos e sessenta e dois
Esta fragata passou a integrar a Marinha Portuguesa
Numa cerimônia que foi realizada no Rio de Janeiro
Saiu do Brasil a vinte e cinco de abril do mesmo ano
Chegando em Lisboa na data de vinte e três de junho.
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VIVE MANUEL BANDEIRA
Mercêdes Pordeus
Recife/Brasil
Nasceu um menino , na antiga Rua da Ventura
Hoje Joaquim Nabuco, da cidade hospitaleira
Recife, foi berço que embalou Manuel Bandeira
Rua da Aurora e Rua da União, cidade lampeira
Por ali, menino passeou, e fez suas brincadeiras.
Crescia o menino em Petrópolis, Rio de Janeiro
Mas não resiste e volta para seu Pernambuco
Manuel Bandeira estuda na Rua da Soledade
No então, Colégio das irmãs Barros Barreto
E como semi interno, noutro na Rua da Matriz.
Bandeira com a família vai para São Paulo
Estuda, agora na Escola Politécnica, de dia
E á noite o poeta estuda no Liceu de Artes
Desenho e pintura, mas começa a trabalhar
Funcionário da Estrada de Ferro de Sorocaba.
Está tuberculoso, volta nosso poeta para o Rio
Depois para a Europa, para fazer o tratamento
E voltou para o Rio, iniciava a primeira guerra
Em seguida, publicou Bandeira o primeiro livro
Pelo mesmo custeado : A CINZA DAS HORAS.
E, no ano de mil novecentos e sessenta e oito
Aos treze de outubro, vai embora prá Pasárgada
Onde será amigo do rei, terá a mulher que quer
E a cama que escolherá, nosso poeta será feliz.
Grande Manuel Bandeira, lutou com a doença.
E com ela, ele escreveu...escreveu...escreveu!
Enalteceu sua cidade natal, a Veneza Brasileira
Evocou o Recife, assim como ele era... o Recife!
Como era antigamente, toda a criança a brincar
Porém, na sua querida cidade, viu seu avô morrer.
Recife, que preserva a memória de Bandeira
No Espaço Pasárgada, na sua Rua da Aurora.
Bandeira, que lá está e estará sempre presente
Mesmo aos cento e vinte a anos depois, está lá
O Poeta não morreu...nessa data ele nasceu.
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BRASIL
INDEPENDENTE?
Mercedes
Pordeus
Recife/Brasil
Mais um sete
de setembro, vamos comemorar... No meio informal
poético, no meio formal civil e militar.
São tantas as
comemorações em cidades e capitais brasileiras, que me
pergunto: somos mesmo um país independente?
Independente
do jugo português em 1822 sim, mas será que essa liberdade do
país e dos brasileiros limitou-se apenas ao brado de D.Pedro
I, às margens do Rio Ipiranga?
Podemos falar
em país livre quando há tantas diferenças sociais, rendas más
distribuídas, onde predomina a fome, quando já muito cedo ao
sairmos de casa para o trabalho ou quaisquer outras atividades
nos deparamos com crianças, adultos e idosos, quando não
dormindo nas praças, calçadas estão já acordados com as mãos
estendidas implorando por um pedaço de pão para matar-lhes a
fome já que os leitos que conhecem são jornais e pedaços de
papelão e o teto não passa de um céu aberto quer faça sol ou
chuva.
A violência é
uma constante, a segurança, a saúde e educação não ultrapassam
as fronteiras dos códigos civis e dos livros didáticos.
Quando o
sistema de transporte público é tão precário que se perdem
horas para acesso as escolas ou trabalho.
Onde o
servidor público já está perto dos dezessete anos sem sequer
um reajuste salarial a não ser para as classes privilegiadas,
estas têm aumentos salariais substanciais.
O futebol e
carnaval vendam os olhos dos menos beneficiados em detrimento
do atendimento das suas necessidades básicas.
VALEU A
INTENÇÃO D.PEDRO I, valeu mesmo sua coragem e intrepidez ao
proclamar a “Independência do Brasil”, mas falta muito ainda
para que o Brasil se torne independente, não de Portugal, mas
de suas próprias amarras, dos seus próprios grilhões.
Gigante pela
própria natureza acorde e levante do teu berço esplêndido,
mude suas vestes, cuide de suas riquezas, preserve-as, são
tantas!
Você é tão
lindo, rico, imenso em sua diversidade culturas e biológica.
Faça valer os
seus direitos!
Em 07/09/2007
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