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10 de
Junho
DIA DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS
Camões, para sempre, um ícone da Pátria
Portuguesa!

Origens e juventude
Desconhece-se a data e o local onde terá
nascido Camões. Admite-se que nasceu entre
1517 e 1525. A sua família é de origem galega
que se fixou na cidade de Chaves e mais tarde
terá ido para Coimbra e para Lisboa, lugares
que reinvidicam ser o local de seu nascimento.
Frequentemente fala-se também em Alenquer, mas
isto deve-se a uma má interpretação de um dos
seus sonetos, onde Camões escreveu "[…] /
Criou-me Portugal na verde e cara / pátria
minha Alenquer […]". Esta frase isolada e a
escrita do soneto na primeira pessoa levam as
pessoas a pensarem que é Camões a falar de si.
Mas a leitura atenta e completa do soneto
permite concluir que os factos aí presentes
não se associam à vida de Camões. Camões
escreveu o soneto como se fosse um individuo,
provavelmente um conhecido seu, que já teria
morrido com menos de 25 anos de idade, longe
da pátria, tendo como sepultura o mar.
O pai de Camões foi Simão Vaz de Camões e mãe
Ana de Sá e Macedo. Por via paterna, Camões
seria trineto do trovador galego Vasco Pires
de Camões, e por via materna, aparentado com o
navegador Vasco da Gama.
Entre 1542 e 1545, viveu em Lisboa, trocando
os estudos pelo ambiente da corte de D. João
III, conquistando fama de poeta e feitio
altivo.
Viveu algum tempo em Coimbra onde teria
freqüentado o curso de Humanidades, talvez no
Mosteiro de Santa Cruz, onde tinha um tio
padre, D. Bento de Camões. Não há registos da
passagem do poeta por Coimbra. Em todo o caso,
a cultura refinada dos seus escritos torna a
única universidade de Portugal do tempo como o
lugar mais provável de seus estudos. Ligado à
casa do Conde de Linhares, D. Francisco de
Noronha, e talvez preceptor do filho D.
António, segue para Ceuta em 1549 e por lá
fica até 1551. Era uma aventura comum na
carreira militar dos jovens, recordada na
elegia Aquela que de amor descomedido. Num
cerco, teve um dos olhos vazados por uma seta
pela fúria rara de Marte. Ainda assim, manteve
as suas potencialidades de combate.
De regresso a Lisboa, não tarda em retomar a
vida boémia. São-lhe atribuídos vários amores,
não só por damas da corte mas até pela própria
irmã do Rei D. Manuel I. Teria caído em
desgraça, a ponto de ser desterrado para
Constância. Não há, porém, o menor fundamento
documental de que tal fato tenha ocorrido. No
dia de Corpus Christi de 1552 entra em rixa, e
fere um certo Gonçalo Borges. Preso, é
libertado por carta régia de perdão de 7 de
Março de 1553, embarcando para a Índia na
armada de Fernão Álvares Cabral, a 24 desse
mesmo mês.
Oriente
Chegado a Goa, Camões toma parte na expedição
do vice-rei D. Afonso de Noronha contra o rei
de Chembe, conhecido como o «rei da pimenta».
A esta primeira expedição refere-se a elegia O
Poeta Simónides falando. Depois Camões fixa-se
em Goa onde escreveu grande parte da sua obra
épica. Considerou a cidade como uma madrasta
de todos os homens honestos. Lá estudou os
costumes de cristãos e hindus, e a geografia e
a história locais. Toma parte em mais
expedições militares. Entre Fevereiro e
Novembro de 1554 vai na armada de D. Fernando
de Meneses constituída por mais de 1000 homens
e 30 embarcações, ao Golfo Pérsico, aí
sentindo a amargura expressa na canção Junto
de um seco, fero e estéril monte. No regresso
é nomeado "provedor-mor dos defuntos nas
partes da China" pelo Governador Francisco
Barreto, para quem escreveria o Auto do
Filodemo.
Em 1556 parte para Macau, onde continuou os
seus escritos. Vive numa célebre gruta com o
seu nome e por aí terá escrito boa parte d'Os
Lusíadas. Naufragou na foz do rio Mekong, onde
conservou de forma heróica o manuscrito de Os
Lusíadas então já adiantados (cf. Lus., X,
128). No naufrágio teria morrido a sua
companheira chinesa Dinamene, celebrada em
série de sonetos. É possível que datem
igualmente dessa época ou tenham nascido dessa
dolorosa experiência as redondilhas Sôbolos
rios.
Regressa a Goa antes de Agosto de 1560 e pede
a protecção do Vice-rei D. Constantino de
Bragança num longo poema em oitavas.
Aprisionado por dívidas, dirige súplicas em
verso ao novo Vice-rei, D. Francisco Coutinho,
Conde do Redondo, para ser liberto. Em 1568,
vem para a ilha de Moçambique, onde, passados
dois anos, Diogo do Couto o encontrou, como
relata na sua obra, acrescentando que o poeta
estava "tão pobre que vivia de amigos".
(Década 8.ª da Ásia). Trabalhava então na
revisão de Os Lusíadas e na composição de "um
Parnaso de Luís de Camões, com poesia,
filosofia e outras ciências", obra roubada.
Diogo do Couto pagou-lhe o resto da viagem até
Lisboa, onde Camões aportou em 1570. Em 1580,
de regresso a Lisboa, assistiu à partida do
exército português para o norte de África.
Morre numa casa de Santana, em Lisboa, sendo
enterrado numa campa rasa numa das igrejas das
proximidades.
As armas e os barões assinalados
Que, da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram.
(...)
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte
Camões, Lusíadas, Canto I
Os Lusíadas é considerada a principal epopéia
da época moderna devido à sua grandeza e
universalidade. As realizações de Portugal
desde o Infante D. Henrique até à união
dinástica com Espanha em 1580 são um marco na
História, marcando a transição da Idade Média
para a Época Moderna. A epopeia narra a
história de Vasco da Gama e dos heróis
portugueses que navegaram em torno do Cabo da
Boa Esperança e abriram uma nova rota para a
Índia. É uma epopéia humanista, mesmo nas suas
contradições, na associação da mitologia pagã
à visão cristã, nos sentimentos opostos sobre
a guerra e o império, no gosto do repouso e no
desejo de aventura, na apreciação do prazer e
nas exigências de uma visão heróica.
A obra lírica de Camões foi publicada como
"Rimas", não havendo acordo entre os
diferentes editores quanto ao número de
sonetos escritos pelo poeta e quanto à autoria
de algumas das peças líricas. Alguns dos seus
sonetos, como o conhecido Amor é fogo que arde
sem se ver, pela ousada utilização dos
paradoxos, prenunciam o Barroco.
O
estilo
É fácil reconhecer na obra poética de Camões
dois estilos não só diferentes, mas talvez até
opostos: um, o estilo das redondilhas e de
alguns sonetos, na tradição do Cancioneiro
Geral; outro, o estilo de inspiração latina ou
italiana de muitos outros sonetos e das
composições (h)endecassílabas maiores.
Chamaremos aqui ao primeiro o estilo
engenhoso, ao segundo o estilo clássico.
O estilo engenhoso, tal como já aparece no
Cancioneiro Geral, manifesta-se sobretudo nas
composições constituídas por mote e voltas. O
poeta tinha que desenvolver um mote dado, e
era na interpretação das palavras desse mote
que revelava a sua subtileza e imaginação,
exactamente como os pregadores medievais o
faziam ao desenvolver a frase bíblica que
servia de tema ao sermão. No desenvolvimento
do mote havia uma preocupação de pseudo-rigor
verbal, de exactidão vocabular, de modo que os
engenhosos paradoxos e os entendimentos
fantasistas das palavras parecessem sair de
uma espécie de operação lógica.
As obras dele foram dividas em líricas e
amorosas. Um exemplo das obras líricas foi Os
Lusíadas, dividido em 10 cantos, exalta a
conquista de Portugal na rota das índias.

Organização de
Carmo Vasconcelos - Portugal
Gerente do Grupo Ecos da Poesia

Idealização de
Armando Figueiredo - Portugal
Membro do Grupo Ecos da Poesia

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