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Tato
Nelim Monti
Não sei porque os poetas
Ainda não falaram
Dos orgãos do sentido
Existirá de fato, motivo?
As maravilhas que existem é com
eles
Que sentimos...
O cheiro bom do mato
Da chuva que molha a terra
De maresia na arrebentação
Mas que cheiro tão bom!
Peixe frito que delícia
Café torrado e moido, lembrando
o sertão.
As borboletas, os pássaros
A céu azul de anil
A flor no seu desabrochar
Coisa mais linda não existe
As mãos postas a orar
O moço bonito que parece um
artista
Tudo isso e muito mais é com os
olhos que consigo enxergar
Aquela música suave
Que explode no silêncio da noite
Os passarinhos a cantar
O riacho a murmurar
Abelhas zunindo nas flores
O choro que dá vida a criança.
Tudo isso e muito mais é com
meus ouvidos
que consigo escutar.
O gosto bom do melado
Da rapadura e do pão
Da uva que faz o vinho
Do leite bem fresquinho
Do queijo derretido
e também assado
Do favo cheinho de mel
Tudo isso e muito mais eu
consigo
sentir com o meu paladar.
O tato bem aprimorado
Conheço de olhos fechados
o rosto do meu amado
O abraço apertado,
é com o tato que sinto
o corpo de alguém desejado.
Mas...é com os lábios colados
em um suave beijo que reconheço
os lábios de quem está
apaixonado.
Olfato, visão, audição, paladar
São bons!
Mas... para mim vou confessar
o melhor é o tato.

Os Sentidos da Alma
Marise Ribeiro
Aspira-me,
porque o aroma do desejo
que exala de mim,
há de embriagar-te
como as rosas de um jardim.
Fala-me,
para que a tua voz
seja para mim um acalanto,
embalando-me nas noites frias
e deixando-me sob encanto.
Ouve-me,
porque as estórias que irei
contar
afugentarão a nostalgia,
alegrando tuas noites,
quando em minha companhia.
Beija-me,
para me dar um alento
abrigando-me do tormento
que passo contando as horas
pensando que já vás embora.
Acaricia-me,
para que seja um bálsamo
nas feridas de angústia
que a solidão abrirá
para não mais cicatrizar
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