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A LENDA DA SERTÃ
A vila da Sertã, segundo
uma velha tradição ligada
à romaria que anualmente
se celebra em 14 e 15 de
Agosto, é considerada o
centro geográfico do País.
Daí o chamar-se à festa de
Nossa Senhora dos Remédios
romaria de Nossa Senhora
do Meio.
Tanto as origens da vila
como a etimologia do
topónimo são
desconhecidas. Alguns
autores de séculos
passados, que se debruçam
sobre este assunto,
dizem-nos que a vila teria
sido fundada por Sertório,
em 74 a. C. Como em muitos
outros casos, esta opinião
baseia-se apenas na
imaginação e no desejo de
acrescentar pergaminhos de
nobreza a uma povoação que
provavelmente era a terra
natal do inventor da
teoria.
As armas da vila
representam uma frigideira
ou sertã com ovos. Tão
lendária é a explicação da
origem do brasão da vila
quanto a história da sua
fundação por Sertório.
Diz a lenda que o chefe da
povoação, ou o seu
castelão, mais
especificamente, se
encontrava ausente no
momento em que os romanos
investiram contra a
fortificação. Celinda, sua
mulher, estava na cozinha
do castelo fritando ovos
quando correram a
dizer-lhe do ataque dos
invasores e de que nele
haviam morto o marido.
Cheia de ódio e desespero,
correu às muralhas, por
onde já penetravam os
romanos. Na mão levava a
sertã fervilhante de
azeite e plena de ovos, os
que preparava para o
marido prestes para chegar
e agora morto. Numa fúria
indescritível, zurziu os
romanos com a sertã com
tal ímpeto que os fez
recuar. A uns cegou-os com
o azeite fervente e a
outros matou-os com a
«arma» que trazia nas
mãos.
Conseguindo suster, quase
só, a invasão dos romanos,
foi depois auxiliada pelos
povos das redondezas, que
com prontidão acorreram ao
alarme.
Deste facto memorável diz
a lenda ter provindo o
nome da vila e seu brasão
de armas.
Retirado do livro “Lendas
Portuguesas” Investigação,
Recolha e textos de
Fernanda Frazão
Amigos do Livro, Editores,
LDA. |