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A LENDA DO CASTELO DE
ALMOUROL
Durante a Idade Média, o
Castelo de Almourol
suscitou a criação de
numerosas lendas, às
quais não foram decerto
alheias a beleza natural
do lugar e a harmonia da
construção. Uma delas é
a de D. Ramiro, alcaide
do Castelo de Almourol.
Conta a lenda que,
voltando cheio de sede
de uma campanha
guerreira, encontrou
duas formosas mouras,
mãe e filha, que traziam
com elas uma bilha de
água. D. Ramiro pediu à
filha que lhe desse de
beber. Esta, assustou-se
e deixou cair a bilha.
Enraivecido, D. Ramiro
matou-as.
Nesse momento apareceu
um rapazinho de 11 anos,
filho e irmão das
assassinadas. O
cavaleiro logo ali o fez
cativo e trouxe-o para o
castelo. Quando chegou,
o pequeno mouro jurou
que se vingaria na
mulhar e na filha de D.
Ramiro, duas damas muito
belas.
Tempos depois, a mulher
do castelão definhou e
acabou por morrer,
vítima de venenos que o
mouro lhe foi dando a
pouco e pouco. Porém,
não conseguiu matar
Beatriz, a filha de D.
Ramiro, porque os dois
se apaixonaram.
Um belo dia, D. Ramiro
chegou ao Castelo na
companhia de outro
alcaide, a quem tinha
prometido a mão de sua
filha. Os jovens
apaixonados,
inconformados com a
sorte que os esperava,
fugiram sem deixar
rasto.
D. Ramiro morreu pouco
depois, vitimado pelo
desgosto. O castelo,
abandonado, caíu em
ruínas.
Dizem que, nas noites de
S. João, D. Beatriz e o
mouro aparecem,
abraçados, na torre
grande do castelo. A
seus pés, D. Ramiro
implora perdão, mas o
mouro inflexível
responde-lhe com dureza:
- MALDIÇÃO!
Adapatação de:
Os Mais Belos Castelos
de Portugal, ed. Verbo,
Lisboa, 1992
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