Homenagem ao Rio Tejo
Autor: Valeriano Luiz da Silva

Nasce o Rio Tejo na serra de Albarracín
E segue lentamente por um longo caminho...
Elo de ligação do Alentejo com a Beira
Suas águas continuam correndo sem pressa e sem canseira

Tu começas na Espanha e divide as águas com Portugal
Até que o mar te abocanha continuas tua marcha triunfal
Na sua passagem por Vila Velha de Róldão
Vê-se imponente formação rochosa quase de veneração

Tu percorres vales profundos
Certamente desde o começo do mundo
Oh Tejo! Tu não paraste nenhum segundo
Como é lindo ver - te mostrando um amor tão profundo!...

Este Tejo da era dos romanos
Que antes dos Romanos outros povos viu chegando
Quando a Ibéria foi conquistada pelos mouros
Certamente você representou para eles grande tesouro...

Se as águas pudessem conversar
O Tejo teria muito pra relatar
Contemplaste a armada de Cabral do restelo
Que zarparam rumo às Índias, mas descobriu o Brasil grande celeiro...

Rio Tejo da era das grandes navegações
Da Espanha a Portugal fizestes muitas ligações
Dentro das barcas atravessaram animais em transumância
Que iam para os verdes pastos da serra da Estrela procurar sustância

Em tuas águas praticam esportes náuticos interessantes
Em tempos passados contribuístes muito para a economia de Abrantes...
Mas hoje o turismo em suas praias é constante
Em teu leito o homem tem feito pesca abundante

Como é lindo! Da grande Lisboa contemplar-te sob grandes pontes
Tu não és caudaloso como o Amazonas mais um Rio tranquilo
Nem tão extenso como o Rio Nilo
Eu sou brasileiro, mas lembro da travessia de Lisboa Almada e Barreiro...

Valeriano Luiz da Silva – conheceu o Tejo em 2001
ANÁPOLIS GO, 26/08/04

***

Lamentação da Serra da Estrela (Portugal)
Autor: Valeriano Luiz da Silva

Já dei ao homem esperança...
Alimentei os animais em transumância
Minhas paisagens fazem sonhar
Nos meus parques podem esquiar

Eu sou um encanto do mundo rural
Aqui no meu amado Portugal
A água limpa da Serra da Estrela
Entre muitas é a mais bela

Por natureza eu sou imponente
Tanto na neve ou no sol quente
Sou apreciada por tanta gente
Até de paises diferentes...

Poetas sobre mim escreveram
Minhas paisagens muitos já conheceram
Aqui está o meu Parque Nacional
O mais belo de Portugal

A origem do meu nome é dúbia
Mas que sou linda ninguém tem dúvida
Vindo a Portugal não deixe de me visitar
Pois minha estrela em ti vai brilhar

Mas das minhas belezas paro de falar
E passarei a reclamar...
Ao homem quero implorar
“Pare de mim incendiar”

Mais um incêndio de grande proporção
Veio lavrar a minha região
Porque o homem predador
Causa a natureza tanta dor?

Será porque sofro tanto?
Preferem quebrar meu encanto
Quer fazer de mim um espanto
Porém eu continuo resistindo por enquanto

Vieram helicópteros e aviões
Viaturas e caminhões
Vi a chegada dos bombeiros
Num grande desespero

Tentando controlar as chamas
Neste Parque que tanto te ama
Há choro no Município de Seia
Lamentação no Município de Gouveia

Por ver queimando seu Parque Natural
O fogo não respeita nem o animal
Estou parecendo uma mulher feia
Com a cara de uma centopéia

Eu que já fui muito bonita
Recebi muitas visitas
Meu “pico” que no Inverno fica todo nevado
Agora com vestido negro está acobertado

A Agricultura sustento da população
Agora vira cinza num montão
E as Aldeias eternas escaparam por um triz
Do potente fogo com seus ardis

A poesia poderá ter te cansado
Mas, um recado quero deixar aqui gravado...
À União Européia não peço luxo e nem festa
Mas que crie um fundo de apoio à floresta

Anápolis Goias-BR, 24/07/05
O autor fala do incêndio nesta
Serra em Julho/2005

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Homenagem a Fadista Amália Rodrigues
Autor: Valeriano Luiz da Silva

Foi lá bem perto da Mouraria
Que nasceu em certo dia...
Aquela que viria
Cantar muito com alegria

Ate hoje ainda ressoa
A voz desta mulher de Lisboa
Na rua ela cantou
E na marcha de Alcântara ela encantou

Sua voz empolgava o público cantando como solista
No começo era acompanhada por seu tio o guitarrista
Certa época se intitulou Amália Rebordao
Em homenagem ao pugilista Felipe que era seu irmão

No estrangeiro foi em Madrid que fez a primeira apresentação...
Canções espanholas e flamencas ela cantou com perfeição
Foi no Cassino Copacabana que estreou no Brasil
Aqui ela gravou os primeiros discos e foi coisa mais linda que se viu

Atuou nos espetáculos do Plano Marshall...
Mostrando para Berlim, Dublin, Paris, Berna esta obra prima de Portugal...
Em Dublin cantou a linda “Coimbra” mostrando a cultura de seu país natal...
Cuja canção popularizou na França como "Avril au Portugal”

Andando pela África seu Fado lá se fez ouvir...
Depois cantou na Espanha em Biarritz, San Sebastian e Madrid
Apresenta pela primeira vez em Nova Iorque, na Boite La Vie En Rose
Tinha tanta capacidade que em inglês fez ouvir sua voz

É impossível citar aqui tantos países que ela andou
Cantou, cantou ... e o perfume português em quase todo o mundo ela deixou
Cantou, cantou... em cinemas teatros e centenas de shows
E no ano de noventa e nove este mundo ela deixou

Amália Rodrigues morreu
Mas sua memória permaneceu
Esta mulher será sempre Rainha Portuguesa
Cantou, cantou e deixou aos novos Fadistas exemplo com certeza...

Autor: Valeriano Luiz da Silva
Anápolis Go Br 30/08/04

 

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