Emigrantes
Estela Belém

Deixam a Terra Natal
Que não lhes deu um sinal
Olhos embaçados p’las lágrimas
Rumam a outras paragens
Sentimento de impotência
Nostalgia no olhar…

Tentam adaptar-se a outro País
Outros sabores, outras cores
Línguas difíceis e estranhas
Que lhes corroem as entranhas
Com o fado no coração
Aprendem outra canção…

Não se esquecem do seu cantinho
E lá longe, contam meses e anos
Que vão levando os desenganos
E sonham voltar no Verão
P’ra matar saudades de tudo
Família, amigos e até do cão…

São nossos irmãos de alma
E seus filhos nascidos porlá,
Falam outros idiomas já
Não querem perder as raízes
Aprendem a língua materna
Com vontade e força eterna…

22.01.2006
Estela Belém

***

Fogo, esse inferno
Estela Belém

Arde nos olhos, na alma,
Árvores nuas e disformes,
Deixando sinais de dor,
Fogueira que não acalma.

Num tempo avassalador,
Sem tréguas nem piedade,
Devora montanhas e vales,
A obra-prima do Criador.

Nuvens cinza cor do estanho,
Labaredas crepitantes,
Galgam aldeias e vilas,
Cercando casas e rebanho.
Na sua voragem e alucinação,
Lega a miséria na população,
Que pede ao céu perdão,
Sem tão-pouco saber a razão.

No rescaldo, e ainda a quente,
Fazem-se as contas por alto,
Das mortes e danos causados,
Pelo maldito fogo refulgente.

15.01.06
Estela Belém

***

Alma Lusitana
Estela Belém

Barcos, ondulantes,
Vibrantes,
Navegantes
De mil mares,
Soltaram as amarras,
As âncoras,
Desfraldaram velas,
Enfrentaram tempestades.

Partiram, à descoberta,
De outros oceanos,
À conquista, de outros
Continentes,
Tão longínquos e estranhos,
Como as suas gentes,
De todos os credos e cores,
Mas de coração puro.

Cruzaram-se, com amor,
Dando origem ao Mundo
Lusófono que, tanto amamos,
Onde nasceram belos mestiços,
Que hoje representam,
A alma Lusitana, em
Todo o seu esplendor.

3/NOV/2004
Estela Belém

 

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