Um dia te conheci...Portugal!

Mercêdes Pordeus

Recife/PE

 

Há quem te chame de pequenino...Portugal.

Percorri teus cantos, conheci teus recantos,

Por tuas ruas, cidades, freguesias eu andei

Então,eu me deslumbrei com teus encantos.

 

Em ti, literalmente, o amor descobri...Portugal.

Encontrei em ti, visualizei uma beleza sem igual

Dessas terras lusitanas, encontrei amor paternal

E mais uma vez, teus encantos me encantaram.

 

Em ti, divagando nas tuas ruas, encontrei a paz

Paz, que flui naturalmente de ti e que nos apraz.

Conhecer-te, foi como descobrir um belo reino,

Um reino encantado, pré-moldado por um oleiro.

 

Terra de desbravadores, grandes empreendedores

De datas longínquas, a herança dos descobridores.

Povo destemido, sua visão projetada para o futuro

Que ainda hoje com grande brio e fama conservas.

 

Lisboa, Algarve, Mafra, Santarém, Belmonte, Viseu.

Teus monumentos preservas como grandes tesouros,

E com razão, pois para ti significam o mais  puro ouro,

Bem sabes de sua importância para tempo vindouro.

 

Infante D. Henrique, Vasco da Gama,Álvares Cabral,

Naus lusitanas, caravelas tantos mares percorreram,

Por mares nunca dantes navegados...disse Camões

Nos oceanos se lançaram, assim terras descobriram.

 

Sabes, Portugal...tens sob tua guarda grande riqueza

Adquiridas ao longo do tempo realizando suas proezas,

Intrépidos descobridores, de tantas naturais belezas

Conservas no berço o sonho embalado sem incertezas.

 

Portugal, assim como o Brasil, sonhaste com a liberdade

Perseguiste-a com garra e a demonstraste na tua altivez

Lutaste, povo bravio, e a conseguiste com tua intrepidez

Saíste de um regime salazarista, e  a opressão se desfez.

 

Através dos fados, por escuras vielas, cantas tua história,

Passei por tuas ruas e cidades, engraçado...hospedeiras,

Tão hospitaleiras, que nem sequer me senti estrangeira.

Pudera, és minha origem, querida terra lusíada e altaneira.

 

31.05.2005

 

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AMOR ENTRE AS MARGENS DO ATLÂNTICO

Mercêdes Pordeus

 

Separando a Europa e a África, das Américas

O Oceano Atlântico assume a forma de  “S’”

A princípio, talvez para significar a SAUDADE

Uma saudade sentida, ainda que no plano virtual

Promoveu um encontro de dois seres em espírito.

 

Navegando por suas águas, éramos dois navios

Na busca transoceânica de interligar dois povos

Povos que aos poucos se tornariam mais que irmãos

A travessia do Atlântico, já lhes era imprescindível

Ultrapassar a distância era resultado dessa intenção.

 

No intento da força do amor, buscavam a união

No horizonte, tanto da margem direita como esquerda

Havia a sintonia e o desejo recíproco do encontro

E nas águas serenas vistas num belo contraste

A mistura das cores formando as lindas nuances.

 

Juntos, vencemos a dor da espera e da saudade

Como a confirmação de um carinho muito especial

E de um amor já tantas vezes por nós declarado

Hoje ainda contemplamos as águas do grande mar

Com harmonia daquelas águas que nos separavam.

 

Certeza...estivéssemos às margens do Atlântico

Oceanos Pacifico, Indico, Glacial Ártico ou Antártico

O nosso encontro ultramar seria coroado com amor

Independente do local onde nos encontrássemos

Nós seríamos e somos : dois  povos e só destino.

 

Caruaru, 04.12.2005

 

***

 

REFAZENDO A ROTA DE CABRAL
Mercêdes  Pordeus
Recife/Brasil

Era uma manhã de treze de maio do ano de  dois mil
Ao longe, via-se uma fragata de bandeira portuguesa,
Trazia içadas dez velas redondas com a Cruz de Cristo
E quatorze velas latinas, eram as de formato triangular.

E o Navio Republicano Português aportara no Recife
Corre notícia alvissareira, todos querem conhecê-lo.
Ele veio para cumprir a rota feita por Álvares Cabral
Comemorando quinhentos anos, descoberto do Brasil.

Os recifenses receberam-no com grande alegria
Permaneceu na capital pernambucana alguns dias
Ali, foram abertas as portas com muita simpatia
Milhares de visitantes que ao seu interior viriam.

Ele trazia em seu interior seis barris de vinho
O vinho Moscatel de Setúbal, o Torna-Viagem,
No século XIX, viajava nos porões dos veleiros
Para comercializar e os que não eram negociados,

Voltavam para Portugal, melhorados pelo clima,
Pelas mudanças climáticas que sofriam na viagem
Desta vez, vieram apenas para manter aquela tradição
Esses barris foram reservados mesmo para esta viagem.

Passados, aproximadamente cinco dias no Recife
E numa manhã de domingo, sob olhares saudosos
Içadas suas velas, o navio de Sagres se distanciava
Assim,deixava a cidade, rumando ao Rio de Janeiro.

Passados quarenta e quatro dias no Oceano Atlântico
Aporta no Rio de Janeiro, o Navio - Escola " SAGRES".

Retrospectiva:
Oito de fevereiro, mil novecentos e sessenta e dois
Esta fragata passou a integrar a Marinha Portuguesa
Numa cerimônia que foi realizada no Rio de Janeiro
Saiu do Brasil a vinte e cinco de abril do mesmo ano
Chegando em Lisboa na data de vinte e três de junho.

20.06.2005

 

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