LISBOA
Rui Pais

Lisboa tu és a capital
Deste meu Portugal…
Do bairro Alto a Alfama
Teus recantos têm fama!

Da Sé Velha ao Castelo
A subida é íngreme
Por becos e ruelas…
O topo é um mirante
De múltiplas janelas…

Que surpresa agradável
O morro do Castelo
De visão dilatada
Vê-se o rio tão belo…

Já a nossa baixa Pombalina
Convida a uma caminhada.
Lisboa cidade ribeirinha
À beira do Tejo plantada…

Rui Pais
11/03/2005

 

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LISBOA ABRAÇANDO O TEJO
Rui Pais

Este rio de grandeza tamanha
Corre desde terras de Espanha…
É um caudal ibérico peninsular
Tem ânsia de abraçar o mar!

Vai deslizando silencioso e suave…
Como o faz no voo plano a ave…
Abre-se num empolgante estuário
E mostra Lisboa num lindo cenário!

A cidade e o rio sentem brio
Numa paisagem em equilíbrio…
De mãos dadas Lisboa e o Tejo
Compartem o mesmo gracejo!

O maior caudal a passar Portugal
Vai envolvendo esta bela capital…
Saúda o Castelo desde o rio a Alfama…
Saúda todos os cantos que têm fama…

A Sé Velha, a igreja Madre de Deus…
As duas grandes pontes e museus…
Os Jerónimos, a Torre de Belém…
E o Cristo Rei na outra margem!

Despede-se ao fundir-se com o mar
Nas águas que flúem sem cessar…
Outras recém-nascidas como um desafio
Cristalinas, abundantes, já descem o rio!

Rui Pais
15/02/2006

 

***

PORTUGAL COLONIAL
Rui Pais

Nasci neste país
Na orla do mar…
Para passar por patriota
Um dia o carteiro
Bateu na minha porta
E trazia um convite…

Eu já tinha esse palpite…
Era um convite
Que não podia declinar…
Para uma guerra distante
Do outro lado do mar…

E assim contrariado
E muito mal-humorado
Um certo dia tive de partir
Onde meu desejo era não ir…

Depois de tanto padecer
Tornei-me num outro ser
Não suportava a humidade
Que clima, que barbaridade…

Envolvido nessa guerra
Longe da minha terra…
Os mosquitos, a malária…
E aquele tórrido calor…
Num meio assustador…

Foi por um ideal africano
Que esse povo se bateu
E tantas vezes feneceu
Para ter uma pátria sua
E pôr o opressor na rua…

E nós, nesta contenda injusta…
Que à força nos foi imposta
Pela política da nação, em vão!
Tantos tombados naquele chão…

Mas como povo agressor
Padecíamos idêntica dor…
Acarinhados pela população
Víamos a sua e nossa razão…

Pretendíamos poder regressar
A Portugal, onde deixamos o lar
E partilharmos de novo a alegria
No seio da nossa amada família…

Até que transcorridos
Dois largos anos perdidos
Regressamos acabrunhados
Nostálgicos e muito calados…

Voltei da Guiné-Bissau
À minha terra natal
Dum conflito além-mar
Que nem quero recordar…

Rui Pais
01/07/2005

 

 

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